Habitar as fronteiras para reinventar o desenvolvimento
Vivemos em um tempo em que as fronteiras do planeta — ecológicas, sociais e éticas — estão sob pressão.
Mas é justamente nas fronteiras que nascem as transformações.
Entre o humano e o não humano.
Entre o local e o global.
Entre o saber tradicional e o conhecimento científico.
O Instituto Fronteiras do Desenvolvimento atua nesses entrelugares —
onde o diálogo é mais desafiador, mas também mais fértil.
Onde o encontro entre diferenças cria o novo.
Onde a cooperação se transforma em força coletiva.
Defendemos um desenvolvimento seguro,
que respeite os limites planetários e regenere os ecossistemas,
e um desenvolvimento justo,
que assegure dignidade, diversidade e bem-estar para todas as pessoas.
Trabalhamos para construir cadeias de valor regenerativas,
em que recursos naturais, conhecimento e trabalho sejam expressão do equilíbrio entre economia, pessoas e natureza.
Fazemos isso por meio de educação, colaboração multissetorial e acesso a mercados,
fortalecendo quem já está no território: agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais, mulheres e jovens que moldam o presente e o futuro do Brasil interiorano e das conexões campo-cidade.
Acreditamos que as fronteiras não são barreiras,
mas espaços de travessia,
onde o desenvolvimento deixa de ser uma linha de chegada e se torna um movimento contínuo de cuidado, reciprocidade e cocriação.
Habitar as fronteiras é nosso modo de ser e estar no mundo.
É ali, onde as linhas se encontram e se desfazem,
que o futuro começa a tomar forma.
Contribuímos com territórios a partir de duas áreas principais: os sistemas agroalimentares e a sociobiodiversidade.
Elas são a base das economias locais, das culturas e das soluções regenerativas que apoiamos.
Os sistemas agroalimentares são a espinha dorsal da vida nos territórios. É neles que biodiversidade, cultura, trabalho e produção se encontram para gerar alimentos, renda, identidade e bem-estar.
A sociobiodiversidade é a expressão viva da relação entre pessoas, territórios e natureza. Ela nasce dos modos de vida, das práticas de manejo, das memórias coletivas e dos conhecimentos que se formam a partir da convivência contínua com florestas, rios, mares, solos e espécies nativas.
Entendemos que transformar sistemas agroalimentares não significa apenas melhorar técnicas de cultivo — é reconfigurar as relações entre quem produz, quem compra, quem consome e o modo como o território se organiza.
No Instituto Fronteiras do Desenvolvimento, adotamos uma abordagem integrada dos sistemas agroalimentares, já que eles envolvem o solo, a floresta, a água, as pessoas, as instituições, os mercados, as políticas públicas e as redes de cooperação. Atuamos para que esses sistemas sejam mais sustentáveis, inclusivos e regenerativos, combinando saberes tradicionais, capacidades locais, inovação contextualizada e governança territorial.
Trabalhamos para fortalecer práticas agroecológicas, circuitos curtos de comercialização, circularidade nas cadeias de valor, organizações produtivas e políticas que façam sentido para a realidade dos territórios — sobretudo no Brasil interiorano, onde a dinâmica socioambiental exige modelos próprios, sensíveis às pessoas, aos modos de vida e aos biomas.
Acreditamos que transformar sistemas agroalimentares é criar condições para autonomia, segurança alimentar e prosperidade. É reconhecer o protagonismo de agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais, mulheres e jovens que fazem a roda da alimentação girar diariamente, muitas vezes em condições adversas. É construir caminhos para que produzir alimento gere também vida digna, renda justa e conservação dos ecossistemas.
Principais frentes em Sistemas Agroalimentares
Transição agroecológica e manejo regenerativo do solo, da água e dos ecossistemas.
Fortalecimento de capacidades técnicas e organizativas, com formação de lideranças, gestão produtiva e cooperativismo.
Cadeias curtas e justas, aproximando produtores, mercados locais, compras públicas e consumidores, e promovendo a circularidade.
Infraestrutura e logística territorial, garantindo escoamento e acesso real aos mercados.
Governança multissetorial, articulando políticas públicas, instituições locais, setor privado e coletivos do território.
Valorização da produção local, promovendo identidade do alimento e cultura alimentar dos territórios.
Soluções integradas de desenvolvimento territorial, conectando produção, natureza, clima e uso do solo.
No Instituto Fronteiras do Desenvolvimento, reconhecemos essa dimensão como um dos pilares de um desenvolvimento territorial que é regenerativo, plural e profundamente enraizado na realidade de cada comunidade.
Agir sob esse foco significa compreender que conservar não é tratar a natureza como algo estático, mas fortalecer formas de vida que mantêm ecossistemas, culturas e economias locais em movimento. Cada território carrega uma combinação única de biodiversidade, saberes, identidades, relações comunitárias e práticas produtivas. É essa tessitura que sustenta o que chamamos de territórios vivos.
A sociobiodiversidade se manifesta em alimentos nativos, conhecimentos sobre o uso de plantas, técnicas tradicionais de manejo, extrativismo sustentável, agroflorestas, artesanato, turismo de base comunitária, redes de economia solidária e coletivos de mulheres e jovens. Esses arranjos socioprodutivos não apenas geram renda: eles mantêm espécies, reproduzem culturas, fortalecem vínculos e ampliam a capacidade de resiliência das comunidades.
No Fronteiras, atuamos para transformar essas práticas em cadeias de valor territoriais, justas e regenerativas, capazes de ampliar oportunidades econômicas sem romper as relações socioecológicas que sustentam as biorregiões. Isso inclui desde fortalecer capacidades locais e organização comunitária até articular políticas públicas, apoiar infraestrutura e conectar iniciativas a mercados comprometidos com consumo consciente e origem responsável.
Nossa atuação é guiada por uma ecologia de saberes — valorizando o diálogo entre ciência, inovação, conhecimento tradicional, experiências comunitárias e tecnologias sociais. Reconhecemos também os riscos que surgem quando a sociobiodiversidade é capturada por lógicas de mercado que desrespeitam o território. Por isso, defendemos uma bioeconomia situada, comunitária e orientada ao bem-estar, onde repartição justa de benefícios, autonomia local e governança multissetorial são condições essenciais.
Para nós, a sociobiodiversidade não é apenas um conjunto de produtos: é uma forma de existir, baseada em reciprocidade, pertencimento e cuidado, e que nos inspira a construir futuros onde conservação e dignidade caminham juntas.
Principais frentes em Cadeias da Sociobiodiversidade
Fortalecimento de cadeias e empreendimentos da sociobiodiversidade, apoiando produção, beneficiamento, logística, organização comunitária e comercialização.
Valorização de espécies nativas e do conhecimento ecológico tradicional, integrando saberes locais, ciência e inovação para gerar valor territorial.
Economias comunitárias e solidárias, fortalecendo associações, cooperativas, coletivos de mulheres e negócios de impacto socioambiental.
Governança territorial da sociobiodiversidade, articulando políticas públicas, compras institucionais, instrumentos de conservação e direitos territoriais.
Conexão com mercados conscientes, ampliando o consumo responsável e a visibilidade de produtos que mantêm territórios vivos.
Preservação cultural e transmissão de saberes, fortalecendo práticas, identidades, línguas, rituais e técnicas locais.
Promoção de territórios regenerativos, onde biodiversidade, renda, cultura e autonomia se reforçam mutuamente.
O Fronteiras atua de forma integrada em seis eixos complementares, que conectam pessoas, organizações, políticas públicas e mercados:
Acesso a Mercados Sustentáveis – conexão entre produtores, compradores e consumidores, valorizando a origem e a sociobiodiversidade, assim como o desenvolvimento territorial.
Políticas Públicas e Incidência – articulação entre as políticas públicas federais, estaduais e municipais, que incidem sobre os territórios, visando aprimorar seus impactos, assim como suas formulações.
Financiamento e Investimento Regenerativo – apoio ao acesso a recursos financeiros públicos e privados alinhados com a inclusão produtiva e a sociobieconomia.
Inovação e Soluções Regenerativas – conexão com centros de pesquisa, desenvolvimento e inovação, visando agregar valor aos ativos da sociobiodiversidade, em sintonia com o contexto de cada território.
Engajamento, Redes e Governança – criação e consolidação de espaços de colaboração multissetorial nos territórios.
Educação e Formação – desenvolvimento de lideranças e fortalecimento de capacidades locais, incluindo as Escolas do Campo.
Cadeia de valor
Conexão entre produtores, compradores e consumidores, valorizando a origem e a sociobiodiversidade, assim como o desenvolvimento territorial.
Articulação entre as políticas públicas federais, estaduais e municipais, que incidem sobre os territórios, visando aprimorar seus impactos, assim como suas formulações.
Apoio ao acesso a recursos financeiros públicos e privados alinhados com a inclusão produtiva e a sociobieconomia.
Conexão com centros de pesquisa, desenvolvimento e inovação, visando agregar valor aos ativos da sociobiodiversidade, em sintonia com o contexto de cada território.
Criação e consolidação de espaços de colaboração multissetorial nos territórios.
Desenvolvimento de lideranças e fortalecimento de capacidades locais, incluindo as Escolas do Campo.